Projetos e tipos de ar-condicionado para hospital e clínica

Este artigo descreve os equipamentos adequados para cada tipo de ambiente, como funcionam e o que o projeto precisa prever. DBG Projetos de climatização
ar-condicionado em sala de cirurgia-grelha

Índice

Cada ambiente hospitalar tem exigências distintas de temperatura, filtragem, pressurização e renovação de ar. O equipamento certo é aquele projetado para atender esses parâmetros simultaneamente — não apenas refrigerar.

Ar-condicionado convencional não entra aqui

Splits Hi-Wall, Cassete e Built-In recirculam o ar interno sem renovação de ar externo e sem capacidade de receber filtros de alta eficiência. A ABNT NBR 7256:2021 exige renovação de ar exterior tratado e filtragem progressiva em praticamente todos os ambientes assistenciais. O split convencional não atende nenhum dos dois requisitos.

Os equipamentos corretos para hospitais são: UTA, Fan Coil (fancobina), VRF com módulo de ar externo e Chiller. Cada um tem uma aplicação específica conforme o porte do estabelecimento e o nível de risco do ambiente.

Ambientes e seus equipamentos específicos

Centro cirúrgico e salas de operação NBR 7256 Tabela A.1
Classificação Risco crítico — nível 3
Temperatura 18°C – 24°C
Umidade ≤ 60% UR
Pressão Positiva
Filtragem G4 + F7 + H13 HEPA
Renovação Mín. 15 trocas/h
Ruído ≤ 45 dB(A)
Equipamento Indicado
UTA com filtros HEPA em linha
Fan Coil com pré-filtragem dedicada
Engenharia do Projeto
A UTA da sala cirúrgica opera em 100% de ar externo — sem recirculação. O ar entra pela UTA, passa por pré-filtro G4, filtro intermediário F7 e filtro terminal HEPA H13 posicionado imediatamente antes da insuflação. A pressão positiva é mantida por diferencial de pelo menos +8 Pa em relação ao corredor. O insuflamento é feito por difusores de fluxo laminar sobre a mesa cirúrgica, criando uma "cortina de ar limpo" que descende sem turbulência. O retorno é feito por grelhas baixas nas paredes laterais para varrer todo o volume do ambiente. A automação BMS monitora temperatura, pressão diferencial e alarme de colmatação dos filtros em tempo real.
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imagem de uma UTA (unidade de tratamento de ar) da Daikin

Ambientes e seus equipamentos específicos

UTI — Unidade de Terapia Intensiva NBR 7256 Tabela A.2
Classificação Risco crítico — nível 3
Temperatura 20°C – 26°C
Umidade 45% – 60% UR
Pressão Positiva
Filtragem G4 + F7 + H13
Renovação Mín. 6 trocas/h
Operação 24h contínuas
Equipamento Indicado
Fan Coil com filtragem terminal HEPA
VRF + módulo DOAS dedicado
Engenharia do Projeto
A UTI opera com recirculação parcial — diferente do centro cirúrgico. O sistema usa Fan Coil por leito ou por zona, alimentados por chiller ou VRF central. O ar externo entra tratado via DOAS dedicado, misturado ao ar recirculado já filtrado. O HEPA terminal fica posicionado na descarga do Fan Coil, a jusante de todos os componentes. O projeto deve prever redundância: falha de um equipamento não pode colapsar a climatização de todo o setor. Controle independente de temperatura por zona é obrigatório — pacientes críticos têm necessidades distintas.
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Quarto de isolamento — doenças infectocontagiosas (AII) Pressão negativa · Anexo C NBR 7256
Classificação Risco crítico — nível 3
Temperatura 20°C – 24°C
Pressão Negativa
Filtragem G4 + F8 + HEPA ISO 35H
Renovação Mín. 12 trocas/h
Exaustão 100% para exterior
Equipamento Indicado
Fan Coil + exaustor com HEPA na descarga
Sistema dedicado com antecâmara
Engenharia do Projeto
O quarto AII é o inverso da sala cirúrgica. A pressão interna é negativa: o ar flui de fora para dentro, confinando os patógenos no quarto. O projeto obriga antecâmara de transição entre o quarto e o corredor — essa antecâmara opera em pressão intermediária, impedindo que o ar contaminado escape diretamente para a circulação. 100% do ar exausto vai para o exterior do edifício, jamais recircula. O filtro HEPA na exaustão retém os patógenos antes que o ar saia do edifício. O diferencial de pressão entre quarto e antecâmara é monitorado continuamente, com alarme visual e sonoro se a pressão negativa for perdida.
Consultórios, salas de procedimentos e endoscopia NBR 7256 Tabela A.7
Classificação Risco semicrítico — nível 2
Temperatura 20°C – 24°C
Umidade ≤ 60% UR
Pressão Positiva
Filtragem G4 + F8
Renovação Mín. 2 trocas/h
Movimentação Mín. 6 trocas/h
Equipamento Indicado
Split ou Fan Coil + insuflador externo G4
VRF com caixa porta-filtro F8
Engenharia do Projeto
Um consultório de 20 m² com pé-direito de 3 m tem volume de 60 m³. Para atender as 2 renovações/hora exigidas, precisa de 120 m³/h de ar externo tratado. O split comum não injeta ar externo — por isso é complementado por um insuflador com moto-ventilador e filtro G4, que garante a renovação independente do sistema de resfriamento. A filtragem F8 é instalada em caixa porta-filtro na descarga do split ou fan coil. Esta é a solução de menor custo que atende à norma para ambientes semicríticos — viável para clínicas de pequeno porte sem necessidade de UTA dedicada.
Farmácia hospitalar, CME e laboratório Controle de umidade rigoroso
Classificação Risco crítico — nível 3
Temperatura 15°C – 22°C
Umidade 30% – 60% UR
Pressão Positiva (farmácia) / negativa (lab)
Filtragem G4 + F7 + H14 HEPA
Partículas ISO 5 a ISO 8 conforme área
Equipamento Indicado
UTA com controle de umidade ativo
Sala limpa com difusores HEPA de teto
Engenharia do Projeto
A farmácia hospitalar de manipulação exige classificação de sala limpa conforme a área de preparação — de ISO 8 para áreas de suporte a ISO 5 para áreas de manipulação estéril. O controle de umidade é feito por desumidificador integrado à UTA, com sensores de ponto de orvalho. A bancada de manipulação opera sob cabine de fluxo laminar independente. O laboratório de microbiologia opera com pressão negativa e exaustão 100% exterior — mesma lógica do quarto AII. Esses dois ambientes no mesmo edifício exigem sistemas de dutos completamente independentes para evitar cruzamento de pressões.
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Os quatro equipamentos em profundidade

Isso causa confusão entre gestores e responsáveis técnicos em São Paulo. Os três documentos existem, todos têm base legal — mas cada um serve a um propósito diferente. Ter um não dispensa os outros.

UTA — Unidade de Tratamento de Ar para hospitais de médio e grande porte
Como Funciona O que o projeto precisa prever
Entrada de ar: admite 100% de ar externo ou mistura controlada com ar de retorno Casa de máquinas: espaço dedicado, acesso para manutenção, distância mínima de áreas assistenciais
Filtragem: pré-filtro G4 → filtro intermediário F7 → filtro terminal HEPA posicionado após todos os componentes Acesso aos filtros: portas de inspeção em cada compartimento de filtragem sem necessidade de desmontar o equipamento
Tratamento: serpentina de resfriamento (água gelada do chiller), bateria de aquecimento, umidificador/desumidificador Bandeja em inox: bandeja de condensado em aço inoxidável com inclinação para dreno — exigência da norma
Insuflamento: ventilador centrífugo distribui o ar tratado pela rede de dutos até os difusores Manômetros diferenciais: indicadores de colmatação em cada estágio de filtro — alarme quando ΔP excede o limite
Gabinete: painéis sanduíche com isolamento hermético entre duas paredes metálicas — exigência construtiva da NBR 7256 para risco 2 e 3 Redundância: UTA reserva ou bypass para ambientes críticos onde a climatização não pode parar
Fan Coil (Fancobina) para UTIs, quartos e consultórios
Como Funciona O que o projeto precisa prever
Princípio: serpentina de água gelada (alimentada por chiller) ou de refrigerante (alimentada por VRF) + ventilador centrífugo local DOAS dedicado: sistema separado para injeção de ar externo tratado — sem ele o fan coil não atende a norma
Filtragem local: recebe caixa porta-filtro com HEPA na descarga — último estágio após todos os componentes Acesso para filtros: posicionamento que permite troca de HEPA sem mover pacientes ou equipamentos médicos
Ar externo: não processa ar externo sozinho — obriga conexão com DOAS ou UTA de renovação dedicada Pressurização ativa: controle de VAV (volume de ar variável) para manter diferencial de pressão entre ambientes
Controle: termostato local por ambiente, integrado ao BMS central para monitoramento remoto Inox na bandeja: mesma exigência da UTA — bandeja de condensado em aço inoxidável para evitar proliferação microbiológica
VRF com módulo de ar externo para clínicas e hospitais de pequeno porte
Como Funciona O que o projeto precisa prever
Princípio: volume de refrigerante variável controlado por compressor inverter na condensadora central Módulo DOAS: obrigatório — o VRF puro não injeta ar externo, portanto não atende à NBR 7256 sem o módulo dedicado
Ar externo: módulo DOAS (Dedicated Outdoor Air System) acoplado ao sistema — trata e injeta o ar externo nas unidades internas Separação de zonas: ambientes de pressão positiva e negativa no mesmo sistema VRF exigem controle independente de cada unidade interna
Filtragem: caixa porta-filtro com F7 ou HEPA instalada na descarga de cada unidade interna Automação: integração com BMS para monitoramento de alarmes de temperatura e pressão diferencial
Fabricantes: Daikin VRV, Mitsubishi City Multi, LG Multi V e Trane com tecnologia Mitsubishi são os mais utilizados em hospitais no Brasil Limite de extensão: tubulação de cobre tem limite de comprimento e diferença de nível — projeto deve verificar compatibilidade com layout do edifício
Chiller com sistema central de água gelada para grandes hospitais
Como Funciona O que o projeto precisa prever
Princípio: planta de resfriamento que produz água gelada (geralmente 6°C/12°C) distribuída por toda a rede hidráulica do edifício Casa de máquinas: espaço dedicado com acesso para manutenção de compressores, bombas e torres
Distribuição: bombas circuladoras levam água gelada até as serpentinas das UTAs e Fan Coils de cada setor Redundância N+1: hospitais críticos exigem um chiller reserva — falha do principal não pode comprometer UTIs e centros cirúrgicos
Eficiência: coeficiente de performance (COP) entre 4,5 e 6,0 — mais eficiente em escala que VRF ou splits individuais Gerador de emergência: a planta de chiller precisa estar na carga prioritária do gerador de emergência do hospital
Torres: chiller rejeita calor por torres de resfriamento (ar ou água) instaladas na cobertura Tratamento de água: sistema de tratamento químico para evitar incrustações nas serpentinas e proliferação de Legionella nas torres
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Importante: Para esses projetos de instalação é indispensável a presença de um engenheiro desde o inicio, para isso conte com a DBG, veja nossos serviços e como podemos te ajudar.

Tabela de referência: equipamento por tipo de ambiente

Ambiente Risco Equipamento Filtragem Pressão
Centro cirúrgico Crítico 3 UTA 100% ar externo G4 + F7 + HEPA H13 Positiva ≥ +8 Pa
UTI Crítico 3 Fan Coil + DOAS G4 + F7 + HEPA H13 Positiva
Quarto isolamento AII Crítico 3 Fan Coil + exaustor HEPA G4 + F8 + HEPA ISO35H Negativa com antecâmara
Sala de parto / neonatal Crítico 3 UTA ou VRF + DOAS G4 + F7 + HEPA H13 Positiva
Farmácia / manipulação Crítico 3 UTA + sala limpa G4 + F7 + HEPA H14 Positiva (ISO 5–8)
Consultório médico Semicrítico 2 Split/Fan Coil + insuflador G4 + F8 Positiva recomendada
Sala de procedimentos Semicrítico 2 VRF + caixa porta-filtro G4 + F7 Positiva
Recepção / administrativo Não crítico 1 Split convencional G4 Não exigida

O que não pode faltar em qualquer projeto hospitalar

Independente do porte e dos equipamentos escolhidos, todo projeto de climatização hospitalar precisa contemplar quatro elementos:

Filtro HEPA sempre a jusante — posicionado após todos os componentes da UTA ou Fan Coil (serpentinas, ventilador, motor). Se vier antes, os próprios componentes contaminam o ar já filtrado.
Bandejas de condensado em aço inoxidável — bandejas em material poroso acumulam biofilme. A norma exige inox com inclinação mínima para dreno contínuo.
Manômetros diferenciais por estágio de filtro — indicam colmatação. Filtro HEPA colmatado reduz vazão, perde eficiência de filtragem e aumenta consumo sem aviso visual.
PMOC com ART — obrigatório pela Lei 13.589/2018. Em hospitais, as frequências de manutenção são mensais para ambientes críticos e o documento é exigido em qualquer auditoria da Vigilância Sanitária.

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